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Atos golpistas: apoio de policias, empresários e políticos é criminoso e deve ser investigado

Desde o final das eleições presidenciais, grupos de criminosos se instalaram em frente aos quarteis das principais cidades do país, e bloquearam rodovias, pedindo o retorno da ditadura militar. As primeiras apurações sobre quem são os organizadores dos atos golpistas apontam para o envolvimento de empresários poderosos, lideranças políticas locais, com facilitação de agentes policiais da PRF e outras forças. Essa prática ocorreu em diferentes estados do país.

Os empresários

Procuradores-gerais de Justiça dos Ministérios Públicos de São Paulo, Santa Catarina e Espírito Santo disseram ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Alexandre de Moraes, que integrantes dos atos antidemocráticos fazem parte de “uma grande organização criminosa com funções predefinidas”. Segundo eles, um movimento com caráter interestadual, capitaneado por empresários, para que estas manifestações aconteçam.

A Agência Pública apurou que Luciano Hang, um dos mais fiéis aliados de Jair Bolsonaro (PL) nos últimos quatro anos, e outros empresários catarinenses, como Emílio Dalçoquio, que ficou conhecido por incentivar a greve de caminhoneiros em 2018, tiveram ativa participação nas manifestações golpistas que acontecem no estado desde o dia 30 de outubro. Um documento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ao qual a reportagem teve acesso com exclusividade, aponta que caminhões a serviço da Havan foram enviados para os bloqueios. As lojas da Havan foram inclusive pontos de concentração dos protestos golpistas em Santa Catarina.

Os protestos também ganharam a adesão de dezenas de donos de negócios de médio porte e comerciantes que baixaram as portas e coagiram funcionários a participar das paralisações. Para citar um exemplo, a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Canoinhas publicou uma nota em 3 de novembro conclamando os associados a fecharem seu comércio ou liberarem seus empregados a participarem do “movimento”. O locaute, como é chamada a paralisação dos empresários, é crime no Brasil e o Ministério Público do Trabalho de Santa Catarina (MPT) está investigando o caso.

Comandante Nádia, vereadora de Porto Alegre, teria envolvimento com ato em frente ao quartel

Vereadores de Porto Alegre, integrantes da bancada de oposição ao governo de Sebastião Melo (MDB) anunciaram no dia 09 de novembro que entregarão ao Ministério Público Federal (MPF) uma prova documental de que a Prefeitura tem conhecimento de uma possível liderança dos atos antidemocráticos que ocorrem no Centro da cidade desde o fim do segundo turno da eleição presidencial.

O documento se refere a uma solicitação feita por Dora Bertolucci, em nome do gabinete da vereadora Comandante Nádia (PP), protocolada às 19h32 do último dia 3 de novembro. O pedido se refere a autorização para instalação de banheiros químicos, por tempo indeterminado, no entorno do Comando Militar Sul, no Centro Histórico, para utilização no denominado “Acampamento com grupo de patriotas”. O pedido foi negado, sob a justificativa de que não há no local evento público previsto pela Prefeitura.

O documento foi endereçado à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), um dos órgãos da Prefeitura intimados pelo Ministério Público de Contas (MPC), Ministério Público Estadual (MPE) e Ministério Público Federal (MPF), a prestar informações sobre as medidas adotadas para garantir o desbloqueio de vias públicas na capital gaúcha.

O envolvimento da PRF na mira da PF

O Ministério Público Federal no Distrito Federal pediu para a Polícia Federal ouvir a cúpula da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na investigação aberta na quinta-feira (10) para apurar se houve prevaricação e violência eleitoral durante o segundo turno das eleições de 2022. Segundo o pedido do MPF, a PF tem que colher depoimento do diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques e de mais cinco diretores:

Os procuradores apontam irregularidades nas blitz feitas pela PRF no dia da votação e na demora em desfazer bloqueios ilegais em rodovias feitos por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro inconformados com o resultado das eleições.

Com informações dos portais: Agência Pública, Sul21, Metrópoles, o Globo, G1 e Jornal de Brasília.

Foto: Joana Berwanger/Sul21