Faculdade da USP dá exemplo e encerra convênio com universidade de Israel
A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) aprovou, na tarde dessa quinta-feira (23), o fim do convênio com a Universidade de Haifa, de Israel. A decisão foi amplamente apoiada pela comunidade acadêmica: foram 46 votos favoráveis, 4 contrários e 4 abstenções.
O rompimento ocorre em um contexto de agravamento da crise humanitária na Faixa de Gaza e configura uma posição simbólica de repúdio à postura do governo israelense. Em agosto, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou oficialmente um cenário de fome no território, sendo a primeira vez que essa classificação é atribuída a uma região do Oriente Médio. Segundo a organização, cerca de 500 mil pessoas vivem em situação humanitária catastrófica, após meses de ataques e bloqueios.
Com essa decisão, a FFLCH-USP se soma a outras instituições brasileiras que também encerraram parcerias com universidades israelenses, como a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp).
ASSUFRGS defende rompimento da UFRGS com a AEL/Elbit Systems
Em abril de 2024, a ASSUFRGS Sindicato já havia aprovado uma moção em Assembleia Geral defendendo o rompimento de convênios entre universidades públicas e empresas ou instituições ligadas ao aparato militar israelense. O texto afirmava que “o conhecimento produzido na universidade pública não deve servir, de forma alguma, para a produção de tecnologias de morte, colonização e limpeza étnica, nem para fomentar projetos de empresas criminosas”. A partir dessa posição, o sindicato se comprometeu a construir uma campanha pelo rompimento do acordo entre a UFRGS e a AEL/Elbit Systems, empresa de capital israelense com atuação na indústria bélica.
Em setembro deste ano, o Conselho Universitário da UFRGS (CONSUN) aprovou, por 31 votos a favor, 19 contrários e 14 abstenções, uma moção de repúdio às relações da universidade com a AEL Sistemas. A proposta, apresentada pelo movimento estudantil e apoiada pela ASSUFRGS, expressa a insatisfação da comunidade universitária com a manutenção de vínculos institucionais com uma empresa envolvida no genocídio do povo palestino.
É necessário manter e ampliar a pressão para que todas as universidades e institutos federais rompam qualquer tipo de vínculo com instituições e empresas envolvidas com o genocídio palestino. A ASSUFRGS reforça seu compromisso com essa luta, em defesa dos direitos humanos.
