ASSUFRGS participa do Encontro Nacional contra o Assédio e em Defesa da Saúde Mental da Fasubra
Representantes da ASSUFRGS — Maristela Piedade, Mariana Sosnowski, Marco Alexandre da Silva e Olívia Tavares — participaram, nos dias 26 e 27 de setembro, em Brasília, do Encontro Nacional contra o Assédio Moral, Sexual e em Defesa da Saúde Mental dos(as) Trabalhadores(as) das Instituições Federais e Estaduais de Educação, organizado pela Fasubra.
O evento teve como propósito debater estratégias de enfrentamento ao assédio moral e sexual nas instituições de ensino, além de fortalecer a defesa da saúde mental dos(as) trabalhadores(as) e ampliar a articulação entre entidades filiadas para a construção de ações coletivas e preventivas.
A mesa de abertura contou com a presença das coordenadoras gerais Ivanilda Reis, Loiva Chansis e Rosângela Costa, além dos coordenadores de Políticas Sociais e Gênero, Maristela Piedade e Fernando Borges.
A coordenadora da ASSUFRGS, Maristela Piedade, avaliou de forma positiva a participação no encontro:
Tivemos mesas muito importantes, com debates fundamentais sobre o combate ao assédio e a relação direta com o adoecimento dos servidores em ambientes tóxicos. Também tivemos um momento de escuta, em que sindicatos compartilharam experiências já desenvolvidas no enfrentamento ao assédio moral e sexual, além de relatos de trabalhadores e trabalhadoras que vivenciaram ou presenciaram situações de assédio. Esse espaço foi essencial para pensarmos em políticas efetivas de combate a esse mal, que tem se espalhado como uma verdadeira epidemia nas instituições públicas brasileiras — não apenas nas universidades, mas também em outros órgãos, embora os dados mais consistentes estejam nas universidades federais.”
Servidora do IFRS Canoas, Olívia Tavares foi uma das palestrantes, em uma mesa intitulada “Assédio nas Instituições: como ocorre?”, trazendo uma reflexão sobre como o assédio pode se tornar parte estruturante da cultura das Instituições Federais de Ensino. Em sua fala, Olívia propôs um olhar que vai além das condutas individuais, sugerindo que o assédio deve ser compreendido como algo enraizado nas práticas institucionais e nas relações cotidianas entre os sujeitos que compõem essas instituições.
Ela apresentou, ao longo de sua fala, exemplos de como o assédio pode se manifestar, variando de formas mais sutis a expressões mais explícitas. Para Olívia, situações que levam à degradação das relações podem surgir, por exemplo, da falta recorrente de comunicação entre servidoras e servidores — o que pode resultar em exclusão, isolamento e discriminação — até práticas mais diretas, como a solicitação de tarefas acompanhadas de cobranças públicas constrangedoras, ou ainda a normalização de piadas depreciativas e apelidos ofensivos, naturalizados no cotidiano institucional.
Segundo ela, o assédio acaba se tornando uma prática normalizada que molda o modo como trabalhadores e trabalhadoras se relacionam no ambiente laboral. Eventos como este, portanto, são fundamentais justamente por promoverem espaços de escuta e troca de experiências, evidenciando a crescente presença do assédio no dia a dia das instituições e reforçando a importância de trabalhos de base contínuos sobre o tema.
Na tarde de sábado (27), ocorreu o painel “Estratégias de Combate ao Assédio Moral e Sexual: elementos para construir uma cultura de ambiente organizacional saudável”, que contou com a participação virtual da psicóloga Kathleen Magina, assessora técnica da liderança do PSOL na Câmara; da advogada Rubia Abs, mestre em Direitos Humanos e coordenadora nacional do CLADEM Brasil; e do advogado da Fasubra, Cláudio Santos. Os debatedores abordaram temas como legislação e políticas públicas, canais de denúncia e acolhimento, empoderamento e educação contra a cultura do assédio, além de ações efetivas de enfrentamento.
Mariana Sosnowski e Marco da Silva, integrantes da coordenação atual da ASSUFRGS, escreveram um relato detalhado sobre o encontro. Confira o anexo:










