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ASSUFRGS defende decisão de assembleia, mas plenária da FASUBRA define greve para 23 de fevereiro

Nosso representantes fizeram a a defesa do início imediato da greve, porém prevaleceu proposta de aguardar mais algumas semanas

A plenária nacional da FASUBRA, realizada nos dias 24 e 25 de janeiro, definiu o dia 23 de fevereiro como data de início da greve, após votação que registrou 81 votos favoráveis, contra 68 votos pelo dia 2 de fevereiro, além de 5 abstenções.

A ASSUFRGS havia aprovado anteriormente, em sua primeira assembleia de 2026, o indicativo de greve em sintonia com as deliberações da federação. Na ocasião, as datas de 2 e 23 de fevereiro foram colocadas em votação, prevalecendo inicialmente a proposta de deflagração da greve no dia 2. Na mesma assembleia, foram eleitos os delegados que representaram o sindicato na plenária nacional: Mariana Sosnowski, Ricardo Boldrini, Vania Guimarães e Luci Jorge, além da indicação da coordenação para Tânia Peres.

A delegada Mariana Sosnowski relatou que no primeiro dia da plenária nacional da FASUBRA, houve o credenciamento, abertura do evento e, na sequência, as correntes políticas se reuniram para debater as posições trazidas pelas bases. Segundo Mariana, o sindicato levou à plenária a deliberação de sua base, que defendia o início da greve em 2 de fevereiro.

Mariana destacou que grande parte das discussões girou em torno do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), previsto no acordo de greve de 2024. Ela criticou o texto do Projeto de Lei apresentado pelo governo, afirmando que a proposta desconsidera a construção feita pela categoria, apresenta poucos avanços e exclui segmentos como aposentados e servidores com doutorado.

Ela relatou ainda que os representantes da ASSUFRGS manifestaram sua indignação por meio de cartazes durante a plenária, cobrando o cumprimento integral do acordo de greve e reivindicações como a jornada de 30 horas e a democratização das universidades.

Para o delegado Ricardo Boldrini, o debate na plenária deixou evidente que o foco central da mobilização deve ser a defesa dos trabalhadores, e não do governo. Ele destacou que os representantes da ASSUFRGS tinham o compromisso de expressar as deliberações aprovadas em assembleia da base, o que, segundo ele, não ocorreu integralmente durante o processo.

Ricardo também criticou a recorrente defesa da lógica do “tudo ou nada” apresentada na plenária. Para ele, ao se falar em “tudo”, é fundamental que a sociedade compreenda a real situação vivida pela categoria, que, na prática, já enfrenta o “nada” diante do não cumprimento do acordo de greve por parte do governo. Ele citou como exemplos os impactos do Projeto de Lei em debate e a reformulação do RSC, que classificou como danosa e absurda, por aprofundar a desvalorização da categoria.

Para Tânia Peres, o primeiro dia de debates apontava majoritariamente para a deflagração da greve em 2 de fevereiro. No entanto, segundo a representante, discursos que enfatizaram a suposta baixa mobilização das bases e o resultado apertado da assembleia que elegeu os delegados acabaram influenciando a mudança do indicativo para 23 de fevereiro. Também criticou a condução dos trabalhos, apontando que a mesa não submeteu à votação separada a data da assembleia virtual, vinculando essa deliberação à definição da data de início da greve, apesar do pedido dos delegados.