TAEs da ASSUFRGS realizam ato contra o feminicídio e cobram por políticas efetivas do Estado
Durante a atividade, o sindicato entregou uma Carta de Repúdio e Cobrança por Políticas Efetivas de Enfrentamento ao Feminicídio no RS para Fabia Richter, que está à frente da Secretaria Estadual da Mulher.
Na tarde de ontem (5), a ASSUFRGS realizou o Ato Contra o Feminicídio – O Estado é Responsável, em Porto Alegre. A mobilização denunciou a escalada da violência contra as mulheres no Rio Grande do Sul e cobrou do poder público ações concretas de prevenção, proteção e responsabilização diante dos casos de feminicídio. Durante a atividade, o sindicato entregou uma Carta de Repúdio e Cobrança por Políticas Efetivas de Enfrentamento ao Feminicídio no RS para Fabia Richter, que está à frente da Secretaria Estadual da Mulher.
O ato reuniu dezenas de mulheres em frente ao Centro de Referência da Mulher, no bairro Rio Branco. As manifestações reforçaram que o cuidado com a vida das mulheres não pode ser tratado como responsabilidade individual. Pelo contrário, as participantes destacaram que é dever do Estado garantir políticas públicas efetivas, orçamento adequado e uma rede de proteção que funcione em tempo hábil.
Integrante da Coordenação de Diversidade e Combate às Opressões da ASSUFRGS, Geni dos Santos Maria, destacou a urgência de tirar as políticas do papel. “Nós estamos tentando ajudar a combater essas opressões, mas é preciso mais divulgação, mais orçamento e que as políticas públicas funcionem de forma efetiva”, afirmou. Geni também relacionou o feminicídio à retirada de mulheres da vida social e do trabalho: “Somos trabalhadoras, mães, professoras, ajudamos a construir a riqueza do Estado, mas estamos diminuindo em número e força por causa desses feminicídios. Essa é uma situação que exige ações concretas e recursos”.
Durante o ato, a secretária estadual da Mulher, Fábia Richter, dialogou com as manifestantes e reconheceu a importância da construção coletiva das políticas. “Eu não quero fazer política pública por pressão. Quero construir com evidência. Faço um convite para que vocês acompanhem de perto o que estamos fazendo e nos deem retorno: o que vai dar certo, o que não vai, o que pode ser melhorado”, declarou.
Bernadete Menezes chamou atenção para a insegurança vivida cotidianamente pelas mulheres, especialmente fora dos grandes centros. “A mesma preocupação que a senhora tem é a nossa. Nós estamos morrendo e não estamos seguras. A polícia não chega na hora, principalmente nas periferias. O acolhimento não chega rápido. Esse documento que estamos entregando é justamente para que possamos dar passos concretos juntas”, afirmou.
A carta entregue pela ASSUFRGS denuncia a omissão do Estado, a lentidão na concessão de medidas protetivas e discursos oficiais que relativizam a violência de gênero. O documento cobra responsabilização institucional, ampliação dos serviços de acolhimento, formação permanente das forças de segurança e orçamento adequado para políticas de enfrentamento ao feminicídio.
Como encaminhamento da mobilização, ficou agendada para a próxima semana uma reunião entre a ASSUFRGS e a Secretaria Estadual da Mulher, com o objetivo de aprofundar o diálogo, apresentar as demandas da categoria e acompanhar de forma concreta as ações e políticas em andamento. Para o sindicato, o encontro é parte fundamental da cobrança por respostas efetivas do Estado e do acompanhamento permanente das medidas anunciadas.
A ASSUFRGS reafirma que o feminicídio não é fatalidade, mas resultado de uma estrutura de desigualdade de gênero sustentada também pela negligência estatal. O sindicato segue mobilizado na defesa da vida das mulheres e no enfrentamento a todas as formas de violência, reforçando que nenhuma a menos é compromisso político, social e coletivo.
Ato Contra o Feminicídio – 05 de Fevereiro 2026