Notícia

Nota de repúdio à direção da Adufrgs

A História da organização das/os trabalhadoras e trabalhadores da UFRGS é marcada por sentidos de unidade e exercício de solidariedade. Técnicas/os-administrativos em educação e docentes, em outros momentos, compartilharam não apenas pautas comuns, mas também espaços organizativos, como é o caso da ABSUFRGS, entidade beneficente criada em 1964 para escapar da repressão e censura produzidas pela Ditadura, compreendendo que a defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade exige ação conjunta frente aos ataques aos direitos e às tentativas de desmonte do serviço público.

Essa unidade foi fundamental em diversos períodos de luta, especialmente na resistência a projetos autoritários, no enfrentamento às políticas de arrocho salarial, austeridade social e na defesa intransigente da democracia. A construção coletiva entre diferentes segmentos da comunidade universitária fortaleceu o movimento sindical e garantiu conquistas importantes, demonstrando que a fragmentação da classe trabalhadora sempre serviu aos interesses daquelas/es que buscam enfraquecer o serviço público.

Hoje em dia, pela especificidade de cada categoria, técnicas/os e docentes já não mais compartilham entidades sindicais. O que num primeiro momento não deveria colocar as/os servidoras/es das IFEs em embate, mostra-se um dos principais pontos de fricção. A História hoje é despeitada na postura grave e inaceitável assumida pela atual direção da ADUFRGS em relação à Greve Nacional das/os servidoras/es técnicos-administrativos em educação. No dia 30 de Abril o Comando Local de Greve realizou uma ocupação no prédio da UFCSPA, atividade de greve legítima conforme a OIT, no dia que o Presidente Lula sancionou o PL 5784/2025. A direção da ADUFRGS produziu uma excrescente nota, confluindo a um reacionarismo de extrema direita, em contradição ao ter organizado, em conjunto com a ASSUFRGS, a I Conferência Internacional Antifascista, em Porto Alegre, finalizada no domingo anterior. Ao adotar uma posição que deslegitima o movimento grevista, ignora suas reivindicações e se alinha a discursos que reforçam a normalização das atividades acadêmicas durante a paralisação, a entidade rompe com uma tradição de solidariedade de classe e se aproxima de práticas que historicamente foram utilizadas para enfraquecer a organização das/os trabalhadoras/es.

A postura da direção da ADUFRGS revela traços preocupantes de uma atuação antisindical  e de sentido patronal, reforçando a ideia de que docentes são melhores que técnicas e técnicos, ao colocar em segundo plano o direito legítimo de greve, ao relativizar as condições de trabalho das/os TAEs e ao contribuir para a criação de um ambiente de pressão e constrangimento sobre aquelas/es que exercem seu direito constitucional de luta. Ao invés de fortalecer o diálogo e a construção coletiva, opta por uma atuação que fragmenta a comunidade acadêmica e favorece a manutenção das desigualdades internas.

Além disso, ao adotar um posicionamento que, na prática, contribui para blindar o governo federal de críticas mais contundentes quanto ao não cumprimento de acordos e à insuficiência de políticas de valorização das/os trabalhadoras/es da educação, a direção da ADUFRGS se afasta de um papel combativo e independente, assumindo uma postura de acomodação. Tal comportamento enfraquece a capacidade de pressão coletiva e compromete avanços necessários para toda a educação pública.

Cabe ressaltar que não é a primeira vez que a direção do sindicato municipal agride servidoras/es técnicos. O padrão é o mesmo: se as demandas são direcionadas ao governo federal ou a condutas assediosas promovidas pelos docentes, a entidade blinda e reage como defensora de supostos patrões.

É inadmissível a adoção de práticas que ferem princípios democráticos na tentativa de deslegitimar um movimento construído de forma coletiva e amplamente respaldado pelas/os técnicas/os-administrativos no Brasil inteiro. Um sindicalismo que se pretende responsável, representativo e combativo não pode se colocar contra a luta de outras/os trabalhadoras/es, muito menos atuar como instrumento de contenção dessas mobilizações.

A ASSUFRGS enxerga técnicas/os e docentes como parte do Serviço Público Federal. Categorias distintas mas que atuam em conjunto na construção da excelência das Instituições Federais de Ensino. É no trabalho diário de TAEs e docentes, junto às/aos estudantes, que o ensino, a pesquisa e a extensão desenvolvem-se em plenitude, garantindo o desenvolvimento do país e a soberania nacional.

Diante desse cenário, torna-se necessário afirmar, com toda a nitidez, que tais posturas não apenas rompem com a história de unidade das/os servidoras/es das Universidades e Institutos Federais, mas colocam a atual direção da ADUFRGS em um campo político oposto aos interesses das/os trabalhadoras/es técnico-administrativos em educação.

A Direção da ADUFRGS, ignorando a rica história que o sindicato de docentes possui e por mais acostumada que esteja em legitimar métodos pouco consagrados de atuação sindical, não tem a FUNÇÃO ou possui PROCURAÇÃO para dizer o que é legítimo o movimento sindical de técnicas/os-administrativos em educação fazer, sobretudo em momentos de greve.  Não mais permitiremos a intervenção de pessoas que não são de nossa categoria nos assuntos que envolvem a categoria Técnico-Administrativo em Educação.

Assim, a ASSUFRGS considera que a atual direção da ADUFRGS se coloca como inimiga das/os TAEs, ao defender a manutenção do status quo nas universidades e institutos federais, ao contribuir para a blindagem do governo federal diante das demandas da categoria e ao adotar práticas antidemocráticas, antissindicais e pseudopatronais. Declaramos que a ASSUFRGS não construirá mais quaisquer atividades em conjunto com a ADUFRGS, salvo em momentos de defesa do serviço público, da educação pública e dos interesses da maioria da população, mesmo que a direção do outro sindicato se mostre pouco interessada nessas defesas. E que em todo espaço onde a ASSUFRGS divida com pessoas ligadas à direção do sindicato de docentes, denunciaremos essas nefastas posturas, enfrentaremos toda e qualquer posição similar às que já aconteceram e, sobretudo, estaremos lado a lado de quem tem a moralidade, a responsabilidade e o compromisso  da organização e da luta coletiva em defesa dos direitos, da dignidade das/os trabalhadoras/es e do futuro da educação pública.

Porto Alegre, 06 de Abril de 2026

Comando Local de Greve e Coordenação da ASSUFRGS – Sindicato

Sindicato das/os Técnicas/os-Administrativos em Educação da UFRGS, da UFCSPA e do IFRS