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Em resposta à primeira mesa com o MEC, categoria define continuidade da greve

Em assembleia, servidoras e servidores cobram o cumprimento integral do Acordo de Greve de 2024 e criticam ausência do MGI nas negociações

Na última Assembleia Geral de Greve da ASSUFRGS, realizada nesta quinta-feira (21), no Auditório do IPSSCH/UFRGS, a categoria votou massivamente pela rejeição, com apenas duas abstenções, no encaminhamento apresentado pelo Ministério da Educação (MEC) na reunião com a FASUBRA ocorrida em Brasília no último dia 13 de maio. Com apenas uma abstenção, a categoria também votou pela continuidade da greve, reforçando a necessidade de intensificar a mobilização nacional até o cumprimento integral do acordo de greve de 2024.

Com o auditório lotado, a atividade teve como principais pontos de pauta os informes do Comando Nacional de Greve (CNG), a análise de conjuntura e os encaminhamentos sobre a próxima delegação ao CNG.

Compuseram a mesa a coordenadora de Administração e Finanças da ASSUFRGS, Morgana de Marco, a coordenadora de Diversidade e Combate às Opressões, Geni dos Santos Maria, e a integrante do Comando Local de Greve (CLG), Myrela Leitão Barros

Nos informes iniciais, integrantes da última delegação ao CNG, formada por Ítalo Guerreiro, Mariana Sosnowski, Pedro Xavier, Márcia Tavares e Maristela Piedade, fizeram um panorama da conjuntura nacional da greve.

As falas destacaram que a abertura da reunião com o MEC foi resultado direto da pressão construída pelas bases e das ações radicalizadas da categoria, especialmente no Rio Grande do Sul. Entre os exemplos citados, esteve a pressão da ASSUFRGS em Viamão, apontado como um dos fatores que influenciaram a retomada das negociações.

Apesar de reconhecerem que a greve ainda enfrenta dificuldades em alguns estados, afirmaram que existe disposição das bases para manter a paralisação nas 54 universidades e institutos federais que aderiram ao movimento. Também foi reforçado que 18 pontos do acordo de greve de 2024 seguem sem cumprimento.

Assembleia rejeita encaminhamentos da reunião com o MEC

Durante a análise de conjuntura, a assembleia debateu os encaminhamentos da ata da reunião entre FASUBRA e MEC e a devolutiva que seria enviada ao CNG nacional.

Confira a ata, na íntegra, e o questionamento da FASUBRA:

Após a leitura integral do documento e amplo debate do plenário, a categoria aprovou por unanimidade o seguinte encaminhamento:

“A Assembleia Geral de Greve não aceita o encaminhamento proposto pelo MEC e exige que as negociações com o governo federal devam envolver o conjunto da pauta da Greve, que é o cumprimento integral do acordo de Greve 11/2024. Pauta essa que está no MEC e MGI, logo, a mesa de negociação precisa, obrigatoriamente, envolver os dois ministérios.”

Diversas intervenções criticaram a tentativa de fragmentar a negociação e apontaram preocupação com a criação de grupos de trabalho sem respostas efetivas às reivindicações da categoria. Foi destacado que a reunião só ocorreu devido ao movimento radicalizado construído pela ASSUFRGS.

Já Pedro Xavier avaliou que aceitar os termos apresentados na ata poderia significar um recuo político da greve. “É uma armadilha, porque se a gente disser sim pra isso, vão achar que a gente aceita essas negociações”, afirmou.

Greve segue até cumprimento integral do acordo

Ao longo da assembleia, falas de servidoras(es) ativas(os) e aposentadas(os) reforçaram a defesa da continuidade da greve. Entre os principais temas levantados estiveram a situação dos aposentados, a implementação das 30 horas, o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para todas e todos e os riscos da Reforma Administrativa.

A coordenadora Geni dos Santos Maria ressaltou que a categoria voltou à greve porque o acordo firmado em 2024 não foi cumprido. “A gente só vai sair quando ele for”, afirmou.

Myrela Leitão Barros também reforçou que a duração da greve depende da postura do governo federal. “Quem diz que a greve é infinita é o governo e não nós”, destacou.

Ao final da atividade, a assembleia aprovou a continuidade da greve “com unidade e radicalização até a vitória”, intensificando a mobilização nacional até que 100% do acordo de 2024 seja cumprido. O encaminhamento foi aprovado com apenas uma abstenção.

Próximo CNG terá nova delegação debatida na próxima assembleia

No ponto sobre o Comando Nacional de Greve, a assembleia aprovou que a próxima delegação da ASSUFRGS ao CNG será debatida na semana que vem.

Também foi aprovada, por unanimidade, a entrada de Maristela Piedade como delegada titular da ASSUFRGS no CNG, ocupando a vaga que estava em aberto.