ASSUFRGS promove atividade de greve “Desconstruindo o Machismo” e abre espaço de diálogo entre TAEs e funcionárias(os)
A ASSUFRGS realizou, nessa quinta-feira (28), a atividade “Desconstruindo o Machismo”, reunindo técnicas e técnicos-administrativos em educação (TAEs) e funcionárias(os) em um espaço de reflexão e diálogo sobre as raízes estruturais e os impactos do machismo na sociedade e nos ambientes de trabalho.
Ao longo da atividade, foram debatidas as origens históricas do machismo, associadas ao patriarcado, e suas consequências concretas na vida das mulheres, como a desigualdade salarial, o feminicídio, a dupla e tripla jornada de trabalho, a violência política de gênero e o controle sobre os corpos femininos, especialmente no debate sobre o direito ao aborto.
A formação foi conduzida por Priscila Voigt, do Movimento de Mulheres Olga Benario e da Unidade Popular pelo Socialismo, e por Claudiane Lopes, jornalista do jornal A Verdade com mais de dez anos de atuação. A mediação ficou a cargo de Andressa Ferreira, técnica-administrativa em educação, bibliotecária, feminista e militante da base da ASSUFRGS.
Também foram lembrados casos recentes de violência contra mulheres no serviço público, como o assassinato de duas servidoras técnicas no Rio de Janeiro por um colega que não aceitava ser subordinado a chefias mulheres. O debate evidenciou como a violência de gênero atravessa inclusive espaços frequentemente considerados seguros, como universidades e institutos federais.
Outro ponto central da conversa foi a responsabilidade coletiva no enfrentamento ao machismo, especialmente entre os homens, por meio da revisão de comportamentos, da escuta ativa e do respeito às mulheres. A importância da educação e da formação permanente, envolvendo tanto jovens quanto homens mais velhos, também foi destacada como parte fundamental do processo de transformação social.
Durante a atividade, Priscila afirmou que “o nosso país não está dissociado da luta das mulheres” e destacou que “enquanto a gente vive em um sistema que nos mata, é impossível a gente não querer acabar com ele”. Ela também abordou o surgimento da Ocupação Mirabal, a luta pela criminalização da misoginia e a necessidade de compreender essas pautas como conquistas políticas construídas coletivamente.
A atividade reforçou ainda o papel fundamental da luta sindical no enfrentamento às opressões. Foi ressaltado que a atuação da ASSUFRGS se torna referência justamente por promove esse espaço de debate e formação voltado à identificação e prevenção de atitudes e falas machistas.
Também foi proposta a construção de um calendário permanente de formação sobre gênero e combate ao machismo, com o objetivo de antecipar situações de violência e fortalecer ações preventivas dentro da categoria e dos espaços organizativos.
O sindicato reafirmou ainda seu compromisso com a participação das mulheres nos espaços de direção, destacando a importância de uma coordenação com ampla presença feminina — conquista garantida no IV Conassufrgs, que estabelece que 50% da coordenação deve ser composta por mulheres —, além do enfrentamento à violência política de gênero.
A galeria de fotos será divulgada em breve.
Confira o vídeo publicado nas redes da ASSUFRGS:
