Assembleia reforça continuidade da greve e critica tentativa de esvaziamento da mobilização
Categoria cobra o cumprimento integral do acordo de greve 2024 e aponta realização de caravana à Brasília
Na Assembleia Geral de Greve da ASSUFRGS realizada nessa quarta-feira (27), servidoras e servidores técnico-administrativos em educação (TAEs) reafirmaram a defesa da continuidade da greve e criticaram movimentações da direção majoritária da FASUBRA que, segundo diversas intervenções, apontam para uma tentativa de esvaziar a mobilização nacional sem o cumprimento integral do acordo firmado em 2024.
A atividade teve como pauta informes, análise de conjuntura, eleição de delegadas(os) para o Comando Nacional de Greve (CNG) e assuntos gerais. A mesa da assembleia foi composta por Ítalo Guerreiro e Geni dos Santos Maria.
Informes destacam mobilizações e debates da categoria
Nos informes iniciais, Rafael Berbigier fez uma retratação pública à funcionária Rejane Aretz pela forma como se dirigiu a ela na última assembleia. Também foram divulgadas atividades organizadas pela ASSUFRGS, como o debate “Desconstruindo o Machismo”, que acontecerá nesta quinta-feira (28), no auditório da ASSUFRGS, e a campanha do agasalho do sindicato.
Antonieta Xavier trouxe esclarecimentos sobre o reposicionamento dos aposentados e defendeu que a ASSUFRGS produza materiais explicativos sobre racionalização, carreira e direitos da categoria.
Já Frederico Bartz apresentou encaminhamentos construídos a partir de uma roda de conversa da greve sobre neurodivergência e saúde mental entre TAEs. A assembleia aprovou a criação de um Grupo de Trabalho sobre o tema, além da realização de um censo sobre neurodivergência na categoria e de um seminário específico sobre saúde mental.
Delegação ao CNG e encaminhamentos
No encerramento, foram apresentados vídeos e áudios enviados pela delegação da ASSUFRGS em Brasília, com relatos de Maristela Piedade e Márcia Tavares sobre os últimos acontecimentos no Comando Nacional de Greve.
A assembleia também aprovou a composição da próxima delegação ao CNG, com a indicação de Ana Maris Carlesso, Lurdes Ambrosio e Geni Santos para atuação em Brasília entre os dias 7 e 19 de junho, além da manutenção de Cristtofer de Moura Santos e Daysson Rosa de Paula, e a ida de Maria Antonieta entre os dias 14 e 26 de junho.
Solidariedade ao povo boliviano
Foi debatida uma moção de repúdio em solidariedade ao povo boliviano diante da escalada autoritária e da situação política no país. A proposta, apresentada por Myrela, criticou a política de “boa vizinhança” do governo Lula em relação ao atual governo boliviano e manifestou preocupação com os ataques democráticos e a repressão enfrentada pela população. A moção reforçou a defesa da democracia, da soberania dos povos latino-americanos e da solidariedade internacional entre trabalhadoras e trabalhadores.
Nesse sentido, a assembleia também aprovou a possível ida da colega Valéria Muller à Bolívia como correspondente da ASSUFRGS para acompanhar os desdobramentos da crise política e as mobilizações no país. O encaminhamento já havia sido debatido anteriormente no Comando Local de Greve (CLG) e foi referendado pela categoria, condicionado à confirmação das condições de segurança e da manutenção da viagem diante dos informes sobre um possível estado de sítio no país. Enfatiza-se que a participação da Valéria na Bolívia é sem custos pro sindicato.
Ocupação Sarah Domingues
Outro tema debatido foi o acompanhamento da ocupação Sarah Domingues, na UFRGS. Tânia Peres relatou reunião realizada com a PRAE para tratar das demandas apresentadas pelos estudantes e informou que foram discutidas medidas de acolhimento, ampliação de servidores na ouvidoria e formação específica para atendimento de denúncias de assédio. Após o questionamento de Tânia sobre como o sindicato poderia auxiliar nesse processo, Mariane Quadros sugeriu a elaboração de um formulário identificando TAEs da ASSUFRGS que teriam condições técnicas para apoiar no acolhimento. A proposta foi aprovada de maneira unânime.
Crítica ofício da Fasubra ao MEC
Durante a análise de conjuntura, o principal debate girou em torno do ofício encaminhado pela FASUBRA ao MEC após as discussões nas bases sobre a ata da reunião com o governo federal.
Diversas falas criticaram o documento e apontaram que o encaminhamento representa um recuo político da greve. Ítalo relembrou que a posição aprovada pela última assembleia da ASSUFRGS foi nítida ao defender que as negociações devem envolver conjuntamente MEC e MGI, sem abrir mão dos 18 pontos pendentes do acordo de greve.
Ricardo Souza afirmou que não se pode aceitar “uma manobra de desmontar a greve sem nenhuma conquista”, enquanto Alexandre criticou a repetição de grupos de trabalho que, segundo ele, se arrastam há décadas sem apresentar resultados efetivos.
Diante disso, a assembleia aprovou uma moção de repúdio ao documento encaminhado pela direção majoritária da FASUBRA ao MEC. A categoria reafirmou que não aceitará negociações fragmentadas nem o encerramento da greve sem conquistas concretas para TAEs.
Defesa dos aposentados e continuidade da greve
As intervenções também reforçaram a defesa das pautas dos aposentados, aposentadas e pensionistas. Andressa Ferreira destacou o compromisso do sindicato em permanecer ao lado desse setor da categoria até o fim da greve.
Antonieta relembrou greves anteriores em defesa dos aposentados. “Em 2001 nós ficamos um mês a mais em greve para não deixar os aposentados na mão. Não vai ser agora que nós vamos fazer isso”, afirmou.
Andreia Duprat também criticou o conteúdo do ofício enviado ao MEC e destacou a importância de pautas como o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) diante da sobrecarga e das condições de saúde enfrentadas pelas(os) colegas. Lembrando que o RSC deveria ser acessível a toda a categoria, o que não vem sendo encaminhado pelo governo.
Na mesma linha, Geni alertou para os riscos de enfraquecimento da luta sindical e reforçou que a responsabilidade pela duração da greve é do governo federal. “Não vamos nos constranger com o número de dias de greve, isso cabe ao governo”, defendeu.
Myrela destacou que as conquistas históricas da categoria sempre vieram da mobilização coletiva e defendeu que a posição assumida pela ASSUFRGS está correta.
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2026.05.27_ Assembleia Geral
