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Segunda audiência da Comissão da Memória e da Verdade da UFRGS trás TAEs como tema

Na última quinta-feira (28), ocorreu um momento histórico e de reparação para a nossa categoria. A Comissão da Memória e da Verdade (CMV) “Enrique Serra Padrós” realizou sua segunda audiência pública, desta vez com o tema central: “Técnico(a)s e a memória da ditadura na UFRGS”. A atividade teve como objetivo reconstruir a memória sobre as práticas de vigilância, repressão e resistência ocorridas na universidade durante a ditadura.

O encontro reuniu relatos contundentes de três colegas aposentados que vivenciaram na pele o autoritarismo na instituição: Jussara Rosa Cony, Décio Aloísio Schauren e Alcides José de Almeida Neto. Ao dar voz às experiências desses servidores, a comissão rompe o silenciamento e mostra que os trabalhadores técnico-administrativos também foram alvos implacáveis de controle e perseguição política, indo além do foco tradicional em estudantes e docentes.

Fernanda Feltes, TAE e integrante da CMV, destacou o caráter inédito e emocionante de um espaço voltado exclusivamente aos técnicos, apontando a escassez de registros sobre a base na documentação da época. “A gente sabe que os técnicos estão ali, que elaboraram parte dos documentos, que os redigiram, que auxiliaram no fazer cotidiano da Universidade e que foram afetados pela política institucional, mesmo que tivessem muito pouca participação nas instâncias decisórias”, relatou Fernanda. Ela ressaltou que ouvir esses testemunhos vivos nos nutre para reconhecer as nossas lutas históricas e tudo o que a categoria ainda precisa avançar.

A ASSUFRGS esteve presente na atividade, Ítalo Guerreiro, Coordenador Geral da ASSUFRGS, saudou o trabalho da comissão e falou sobre o apagamento histórico da base frente aos outros segmentos: “Muitas vezes a memória de docentes e estudantes que enfrentaram a ditadura e tiveram que enfrentar a ditadura na universidade se sobrepunham à memória, à ação e à atividade de técnicas e técnicos que igualmente tiveram que enfrentar a ditadura e igualmente sofreram com as perseguições”, denunciou.

Vale ressaltar ainda que ainda vivemos resquício, como legislações que minam a força dos trabalhadores. Exemplo disso é a falta de paridade nas instâncias de decisão da UFRGS, uma reivindicação barrada por setores que ainda resistem à democratização plena das universidades em todo o Brasil. Como bem lembrou Fernanda: “Se hoje a gente ainda tem lutas pra fazer avançar a participação dos técnicos nas instâncias decisórias da Universidade, naquele período a gente tinha um vazio de participação dos servidores técnicos”.

A ASSUFRGS espera que a história dos nossos colegas jamais seja apagada! Seguiremos firmes na luta por memória, verdade, justiça e reparação, e não descansaremos até que a nossa universidade seja 100% democrática e paritária.