TAEs da UFRGS, UFCSPA e IFRS aprovam fim da greve e retorno ao trabalho no dia 15 de julho
Em Assembleia Geral de Greve realizada no dia 14 de julho, no auditório da Faculdade de Arquitetura da UFRGS, os servidores Técnico-Administrativos em Educação (TAEs) da base da ASSUFRGS aprovaram o fim da greve, com retorno às atividades marcado para o dia 15 de julho. A assembleia foi comandada por Ítalo Guerreiro (UFRGS), Ana Maris Carlesso (UFCSPA) e Cauê Pacheco (IFRS). O movimento, que durou 139 dias, encerra-se como a mais longa greve da história da ASSUFRGS, sendo descrita por diversos servidores como um processo de profundo aprendizado, fortalecimento da unidade e renovação da categoria. São vitórias da greve a conquista histórica do RSC (Reconhecimento de Saberes e Competências) e a aceleração para os aposentados.
A ASSUFRGS foi vanguarda na greve nacional, realizando atos contudentes, como o fechamento dos campus centro e vale da UFRGS e da UFCSPA. No IFRS Viamão, foi uma ação organizada pelo sindicato que conseguiu uma reunião com o Ministro da Educação, fundamental para avanço nas tratativas. Ao final da greve, abre-se um novo campo de batalha: a fiscalização dos GTs prometidos pelo MEC para avançar nas pautas ainda não cumpridas do acordo de greve de 2024, como as 30 horas e a democratização das IFEs.
Acordos locais garantem reposição por atividades
Um dos pontos centrais da assembleia foram os informes sobre as negociações com as reitorias da UFRGS, UFCSPA e IFRS para o retorno ao trabalho. O CLG da ASSUFRGS realizou reuniões com os gestores no início desta semana. Na UFRGS, a PROGESP assegurou que haverá um acordo de greve específico para a universidade, nos moldes do que ocorreu em 2024, focando na reposição de atividades represadas e não na contagem de horas. No IFRS e na UFCSPA o entedimento foi o mesmo, com reuniões positivas e tranquilas, estabelecendo o compromisso de sanar conflitos nas chefias e agilizar processos como os da comissões do RSC.
Sentimento de vitória política e críticas à direção nacional da FASUBRA
Apesar da aprovação do fim do movimento, o clima da assembleia foi de misto de vitória e indignação. Por um lado, celebrou-se a conquista do Decreto do RSC e a unidade inabalável da base. Por outro, houve um forte rechaço ao processo de finalização da greve conduzido pela maioria do Comando Nacional de Greve (CNG) da FASUBRA, que aprovou a saída do movimento sem a assinatura de um Termo de Acordo formal com o governo federal.
Os servidores criticaram duramente o que chamaram de “postura governista” da direção da federação nacional, classificando o encerramento sem garantias jurídicas como um “sentimento amargo”. Foi enfatizado que a luta agora se desloca para a fiscalização rigorosa dos Grupos de Trabalho (GTs) e para a democratização das instituições.
Encaminhamentos e Estado de Greve
A assembleia aprovou, por ampla maioria, com pequenas abastenções, uma série de medidas para dar continuidade à luta mesmo após o retorno ao trabalho:
- Rechaço ao processo de finalização da greve, deliberado por uma pequena maioria do CNG e de parte da direção da Fasubra, sem debate com as bases.
- Com base em negociações realizadas pelo CLG Assufrgs com as reitorias das 3 bases, sobre a reposição de atividades, apontamos o retorno ao trabalho no dia 15 de julho.
- Entrada em estado de greve pelos termos ainda não cumpridos do acordo de greve de 2024, contra a Reforma Administrativa, contra a lei que ataca o direito de greve, contra o decreto 10.620 (que joga a aposentadoria dos servidores federais para o INSS), contra os cortes e contingenciamento de verbas das IFEs.
- Em dias de reunião da mesa setorial da educação e de GTs produzir mobilização, paralisação, com possível caravana a brasilia.
- Empenhar esforços para incidir nas outras bases e construir oposição ao campo majoritário da direção nacional da FASUBRA.
