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Vitória da educação: leilão de concessão das escolas estaduais é suspenso em meio à mobilização

Antes do ato desta quinta-feira (16), o governo do Rio Grande do Sul anunciou a suspensão do leilão que previa a concessão de 98 escolas estaduais à iniciativa privada por meio de uma parceria público-privada (PPP). A decisão foi divulgada na tarde de quarta-feira (15) e atende a uma medida cautelar do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS).

Com a suspensão, ficam interrompidos o recebimento das propostas das empresas interessadas, que ocorreria nesta quinta-feira, e a realização do leilão, previsto para 23 de julho, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Ainda não há nova data para a continuidade do processo.

Apesar do anúncio, educadores da rede estadual decidiram manter a mobilização de hoje contra a proposta do governo de Eduardo Leite (PSD). Em Porto Alegre, a concentração iniciou às 9h30, em frente à 1ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), seguida de caminhada até a Secretaria Estadual da Educação (Seduc). A paralisação foi aprovada em assembleia geral do Cpers Sindicato e mobilizou os 42 núcleos da entidade em todo o estado.

Para a professora, ativista sindical e diretora-geral do 39º Núcleo do CPERS, Neiva Lazzarotto, a suspensão do leilão representa uma importante conquista da mobilização, mas não encerra a luta contra a PPP. “Foram dias de luta e dias de glória”, afirmou. Segundo ela, a decisão foi consequência da expressiva adesão que teria o ato desta quinta-feira. Neiva destacou que mais de 500 trabalhadores e trabalhadoras das escolas dos 38º e 39º Núcleos participaram do ato em Porto Alegre, com caminhada da 1ª CRE até a Seduc.

A dirigente também agradeceu o apoio da ASSUFRGS à mobilização e voltou a criticar a proposta do governo. Para ela, a PPP representa a transferência da gestão da infraestrutura das escolas para uma empresa privada por 25 anos, em um contrato estimado em R$ 4,8 bilhões. “As direções das escolas fazem milagres para manter as estruturas funcionando. Se existe abandono da infraestrutura, a responsabilidade é dos governos, inclusive do governo Eduardo Leite”, afirmou. Ao final, reforçou que a categoria seguirá mobilizada “até enterrarmos de vez essa PPP, essa privatização das nossas escolas”.