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Eleger Lula e derrotar a Extrema Direita – Manifesto da ASSUFRGS

É nas ruas que nós derrotamos o fascismo e conquistamos a democracia!

Neste momento decisivo para o Brasil, o Sindicato dos Técnico-Administrativos da UFRGS, UFCSPA e IFRS (ASSUFRGS) vem a público declarar seu voto em Luiz Inácio Lula da Silva. O segundo turno nos convoca a escolher não apenas um governante, não apenas um partido, mas um projeto civilizatório: preservar o Estado Democrático de Direito e as conquistas que o povo arrancou a duras penas, ou vê-los demolidos.

Vivemos a agudização da crise do capitalismo tardio. Os governos do PT arrancaram conquistas sociais que a elite jamais entregaria de graça, e ela respondeu aos singelos avanços com fascismo e golpismo. Como em outras crises, o fascismo recruta sua base de massa na pequena burguesia ameaçada, mas quem colhe os frutos é a elite que explora o povo brasileiro há mais de 500 anos e ajoelha o país diante de potências estrangeiras, desde que a mantenham no poder.

Nas ruínas deixadas pelo neoliberalismo, a extrema direita ganhou força porque o povo se desiludiu com o discurso eleitoreiro e porque a esquerda deixou de ouvir os anseios populares. Sem saída à vista, a raiva de quem foi esmagado pela crise vai para quem grita mais alto. As urnas são a grande pesquisa de opinião: Flávio saiu do primeiro turno com mais de 2 milhões de votos à frente, e cerca de 33 milhões de eleitores nem foram votar. Nosso combate é contra o projeto de país representado pelos Bolsonaros, não contra seus eleitores. A quem votou em Flávio, dizemos: vocês não são nossos inimigos. A raiva de vocês tem motivo, o problema é quem lucra com ela.

Com o fascismo, nenhuma conciliação, com o povo brasileiro, sim!

Nosso voto em Lula é crítico. Enfrentamos seu governo em duas greves, a última de quase cinco meses. Votamos nele porque é hoje o obstáculo concreto à extrema direita, tem função histórica, mas não estará disponível para sempre. Seu programa defende fortalecer o SUS, garantir a permanência estudantil, tratar a aposentadoria como direito e acabar com a escala 6×1. Vamos cobrar cada linha. Defendemos as liberdades democráticas porque são o terreno em que a classe trabalhadora se organiza e porque as instituições, aparelhadas por elites burguesas, não vão nos proteger sozinhas do fascismo.

O plano de Flávio copia o governo do pai e promete um “grande tesouraço” nos gastos públicos, privatizações e reforma administrativa. Ele quer tirar as universidades federais do MEC e subordiná-las ao Ministério da Ciência e Tecnologia, em nome do “impacto produtivo”. É o mesmo projeto que tratou universidades e sindicatos como inimigos e, em 2020, impôs à UFRGS o último colocado da lista tríplice para reitor. Chama a CLT de ultrapassada e é contra o fim da escala 6×1 sem redução de salário, que 73% dos brasileiros apoiam. Chamar isso de modernização esconde uma escolha: fazer quem trabalha pagar a crise. Flávio representa uma elite que, se pudesse, nunca teria abolido a escravidão.

Flávio quer tirar processos criminais do STF, esconder seu envolvimento com a milícia e com a corrupção, libertar o pai, condenado a 27 anos de prisão pela trama golpista, e anistiar os fascistas que depredaram as sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro. Quer aparelhar as instituições e os órgãos públicos, cercear liberdades e cortar direitos fundamentais, como saúde e educação. É o roteiro de um governo fascista e autoritário.

Ao governo Trump, pediu sanções e corte de vistos contra autoridades brasileiras no lugar de tarifas. Em 2025, ele e o irmão condicionaram o fim do tarifaço à anistia do pai. Isso tem nome: entreguismo e traição à pátria. É o mesmo Flávio que, em 2005, foi à prisão entregar a Medalha Tiradentes a Adriano da Nóbrega, depois apontado pelo MP do Rio como chefe de milícia, e que empregou a mãe e a esposa dele no gabinete.

Derrotar a extrema direita não nos basta. Queremos mais profissionais e remédios no SUS, mais escolas e creches públicas, menos horas de trabalho e mais tempo de vida, o fim do feminicídio e do genocídio do povo negro, indígena e LGBTQIA+, lugares seguros diante da crise climática, e uma universidade pública, gratuita, autônoma e de qualidade.

Está na hora de a universidade pública, com seus técnico-administrativos, docentes, estudantes e terceirizados, ir para a rua conversar com mulheres, trabalhadores e jovens, com a população negra, indígena e LGBTQIA+, com quem mais perde direitos. Que os sindicatos saiam de seus castelos. Precisamos de unidade de ação a partir de baixo, solidária, independente e não eleitoreira, que prepare o gramado para as próximas décadas: reconstruir a esquerda na era pós-Lula. Vencer esta eleição não nos livrará do fascismo: o ovo da serpente foi chocado pela crise do capitalismo brasileiro. Só com mobilização vamos resistir e tirar o cabresto que os de cima mantêm sobre nossas cabeças. É a radicalidade das ruas que vai enfrentar a extrema direita e o neoliberalismo: campanha olho no olho, em cada local de trabalho, de estudo e de moradia, na porta das fábricas e dos templos religiosos, sem nos resumir às redes sociais.

Se é nas redes que se disputa uma eleição, é nas ruas que se derrota o fascismo e se conquista a democracia e a liberdade!

No dia 25 de outubro, votamos Lula presidente! No dia 26, seguimos na rua.