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Pressão da comunidade universitária garante sala de acolhimento da Ouvidoria no Campus do Vale

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) inaugurou uma sala de acolhimento da Ouvidoria no Campus do Vale. Localizado no prédio do Instituto Latino-Americano de Estudos Avançados (Ilea), o novo espaço amplia e descentraliza o serviço de acolhimento da universidade, atendendo a uma demanda histórica da comunidade universitária por mais segurança e acolhimento nos diferentes campi.

A instalação da sala no Campus do Vale é resultado da mobilização da comunidade universitária, especialmente das estudantes que protagonizaram a Ocupação Sarah Domingues e das servidoras e dos servidores técnico-administrativos organizados na ASSUFRGS.

Durante as negociações para a desocupação da Ocupação Sarah Domingues, uma das principais reivindicações apresentadas pelas estudantes foi justamente a criação de um espaço presencial no Campus do Vale para acolher possíveis vítimas de assédio e outras formas de violência. A demanda ganhou força com a organização coletiva e a mobilização da comunidade, resultando na criação de um local específico para esse tipo de atendimento.

A ASSUFRGS acompanhou o processo e se colocou à disposição para contribuir na construção de respostas às reivindicações apresentadas pela ocupação. Ainda durante a Assembleia Geral de Greve do sindicato, realizada em 28 de maio, foi debatido o acompanhamento da Ocupação Sarah Domingues na UFRGS.

Na ocasião, a coordenadora Tânia Peres relatou uma reunião com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) para tratar das demandas apresentadas pelas estudantes. Entre os temas discutidos estavam a adoção de medidas de acolhimento, a ampliação do número de servidores na Ouvidoria e a necessidade de formação específica para o atendimento de denúncias de assédio. A Assembleia aprovou, por unanimidade, que a ASSUFRGS auxiliaria nesse processo.

“A instalação da sala foi consequência de muita luta de estudantes que vinham sofrendo constantes agressões sexuais e de gênero, sendo obrigadas a conviver com seus assediadores e agressores”, afirma Tânia.

Ela também lembra que a Ocupação Sarah Domingues surgiu inicialmente em um espaço que estava fechado e em desuso, como forma de homenagem à ex-aluna da universidade e integrante do Movimento Correnteza, covardemente assassinada enquanto realizava levantamento de dados para sua pesquisa universitária.

Durante meses, a ocupação garantiu um espaço de acolhimento para alunas, servidoras e trabalhadoras terceirizadas. Agora, essa demanda conquista um espaço permanente dentro da UFRGS, em um modelo mais especializado e estruturado.

Mobilização garantiu espaço de acolhimento

Luci Jorge, integrante do GT Mulheres da ASSUFRGS, participou das negociações para a desocupação da antiga sala da Farmácia, no Campus do Vale, ocupada pela Organização Olga Benário.

Segundo ela, a ocupação foi fundamental para pressionar a Administração Central a providenciar um espaço especializado de acolhimento para mulheres no Campus do Vale. O processo mobilizou a comunidade universitária, o DCE e a ASSUFRGS, que naquele período estava em greve.

Luci Jorge, Shana Weber (FAVET) e Alexandre (DEPATRI) conheceram a sala e participaram de uma conversa sobre o espaço e suas atividades. Foram recebidos por Sonia Maria Martins. | Foto: Arquivo Pessoal

A partir da mobilização das estudantes no Conselho Universitário (CONSUN), foi formada uma comissão de intermediação com a Reitoria, a PRAE e a PROAFE, com a participação também de integrantes do Mulheres da ASSUFRGS. Após três meses de ocupação, o espaço foi desocupado em 15 de julho de 2026, quando a Reitoria disponibilizou uma nova sala no ILEA, junto ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH).

“Hoje, temos acolhimento especializado para mulheres vítimas de assédio e também um formulário para denúncia e escuta. Essa é uma conquista da mobilização coletiva das mulheres e da comunidade universitária. Viva nós, mulheres em luta! Nenhuma a menos!”, afirma Luci.

Espaço seguro e atendimento especializado

A sala foi equipada para garantir privacidade e oferecer um ambiente seguro às pessoas atendidas. Neste momento, o serviço está sendo realizado por duas servidoras: Sônia Maria Martins, técnica em Assuntos Educacionais do Ilea, e Luana Figueira Silva, psicóloga do Colégio de Aplicação.

As profissionais atuarão junto à Rede de Acolhimento da comunidade universitária, seguindo o Protocolo de Acolhimento em Situações de Assédio, Discriminação e Outras Violências. O documento foi elaborado pelo Fórum dos Serviços de Atendimento e Prevenção ao Assédio e Outras Violências nas Relações de Trabalho da UFRGS (Fórum SEAPaz).

A criação do espaço também considera as características do Campus do Vale, que concentra diariamente um grande número de estudantes, trabalhadores e demais integrantes da comunidade universitária.

A coordenadora de imprensa da ASSUFRGS, Mariana Sosnowski, participou da inauguração, ao lado da ouvidora da UFRGS, Amanda Ciarlo Ramos; do pró-reitor de Ações Afirmativas, Alan Brito; e da integrante da equipe de acolhimento da Ouvidoria, Sonia Maria Martins. | Foto: Arquivo Pessoal

O atendimento presencial será realizado às quartas-feiras, das 14h às 17h. Os atendimentos podem ser agendados pelo e-mail [email protected].

Segundo Carolina Brys Araujo, coordenadora da Ocupação de Mulheres Sarah Domingues, em relato à ASSUFRGS, a sala já realizou cinco atendimentos de mulheres vítimas de violência desde sua implementação, há menos de uma semana. Para ela, a iniciativa representa a possibilidade de que essas mulheres encontrem, dentro da própria universidade, um espaço efetivo de escuta e acolhimento.

A inauguração da sala evidencia que avanços nas políticas de proteção e acolhimento da comunidade universitária são resultado da mobilização e da pressão coletiva. A ASSUFRGS seguirá acompanhando a implementação da rede de acolhimento e defendendo a ampliação das políticas e dos serviços de prevenção e enfrentamento ao assédio e às demais formas de violência na universidade.