Alerta na UFRGS: orçamento de 2027 prevê déficit de mais de R$ 24 milhões
Recursos previstos pelo governo federal crescem apenas 2%, enquanto a UFRGS estima precisar de R$ 230,8 milhões para cobrir despesas obrigatórias e custos mínimos de funcionamento em 2027 — R$ 28,4 milhões a mais que os recursos previstos para 2026
A proposta de orçamento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para 2027 acende um alerta sobre as condições de funcionamento da universidade.
De acordo com os dados da Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA), estão previstos R$ 206,7 milhões em recursos do Tesouro Nacional para as ações orçamentárias da universidade em 2027. O valor representa um aumento de apenas 2% em relação aos R$ 202,4 milhões previstos para 2026, após as recomposições.
Ao mesmo tempo, a estimativa é de que a UFRGS precise de R$ 230,8 milhões para cobrir as despesas obrigatórias e os custos mínimos de funcionamento no próximo ano.
Na prática, existe uma diferença de mais de R$ 24 milhões entre o recurso previsto e o valor necessário para manter as atividades.
Custos para manter a universidade estão aumentando
Uma das principais razões para esse descompasso é o aumento dos custos dos serviços essenciais para o funcionamento da UFRGS.
Entre as principais despesas estão:
- Serviços terceirizados: a previsão é de R$ 101,5 milhões em 2027, contra R$ 93,3 milhões em 2026. Esse valor representa cerca de 46% das despesas obrigatórias da universidade.
- Água, energia elétrica e taxas: a estimativa chega a R$ 47,7 milhões, acima dos R$ 44,2 milhões previstos anteriormente. Essa despesa representa cerca de 21,6% do total obrigatório.
- Alimentação nos Restaurantes Universitários (RUs): a previsão para a alimentação transportada é de R$ 33,2 milhões, aproximadamente 15% das despesas obrigatórias.
Ou seja, enquanto os custos para manter a universidade funcionando aumentam, os recursos disponíveis não acompanham esse crescimento.
Assistência estudantil fica sem aumento
Outro ponto de preocupação é a assistência estudantil.
Para 2027, a verba prevista para o PNAES (Programa Nacional de Assistência Estudantil) é de R$ 31,4 milhões. O valor é exatamente o mesmo destinado após a recomposição de 2026, o que significa nenhum aumento nominal.
Na prática, quando se considera a inflação, manter o mesmo valor significa que a universidade terá menos recursos para atender às mesmas necessidades.
Isso pode pressionar a manutenção de bolsas, auxílios e outras políticas importantes para que estudantes em situação de vulnerabilidade consigam permanecer na universidade.
Outros programas também aparecem sem reajuste na proposta, como o Promissaes, com R$ 265,2 mil, e a Educação a Distância, com R$ 103,3 mil.
Gestão aponta medidas para reduzir gastos
Diante desse cenário, a gestão da UFRGS aponta algumas medidas para tentar reduzir despesas.
Entre elas estão a revisão de contratos de terceirização e manutenção, ações para diminuir gastos com a frota e iniciativas de eficiência energética.
A universidade também pretende acompanhar a discussão do orçamento no Congresso Nacional e buscar novas recomposições de recursos junto ao Ministério da Educação.
Orçamento precisa garantir o funcionamento da universidade
Para a ASSUFRGS, a situação orçamentária preocupa porque a falta de recursos pode ter impactos diretos no cotidiano da comunidade universitária.
A manutenção dos serviços terceirizados, da infraestrutura, da segurança, dos Restaurantes Universitários e das políticas de permanência estudantil depende de um orçamento compatível com as necessidades reais da universidade.
A ASSUFRGS defende a mobilização dos trabalhadores e de toda a comunidade universitária em defesa de um orçamento que garanta o funcionamento adequado da UFRGS e fortaleça a educação pública, gratuita e de qualidade.
Os valores apresentados têm como base os dados da proposta orçamentária para 2027 e podem sofrer alterações durante a tramitação do orçamento federal.
