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Eleger Lula e derrotar a Extrema Direita e Trump nas ruas e nas urnas: mobilizar e organizar pessoas por uma perspectiva de futuro.

A Coordenação da ASSUFRGS-Sindicato vem a público manifestar seu posicionamento diante do segundo turno das eleições presidenciais, a partir dos desafios colocados para a classe trabalhadora. O resultado do primeiro turno demonstrou a força que a extrema direita continua mantendo no país e coloca diante de todos nós uma disputa que não pode ser reduzida a escolha entre candidaturas. O 2° turno envolve projetos distintos para o Estado, para os direitos sociais, para o mundo do trabalho, para a democracia e para a soberania nacional.

A candidatura da extrema direita representa a continuidade e a agudização do projeto político construído pelo bolsonarismo, experienciado na gestão de seu pai entre 2018 e 2022. Um projeto que se fortaleceu atacando organizações sindicais e movimentos sociais, desvalorizando os serviços públicos e tratando direitos conquistados historicamente como privilégios ou obstáculos ao desenvolvimento econômico. É também um projeto que se aproxima dos interesses dos grandes grupos econômicos, defendendo uma concepção de Estado cada vez mais subordinada às necessidades do mercado e à transferência de recursos públicos para os setores que concentram riqueza e poder. Para as/os trabalhadoras/es, as consequências dessa política são desastrosas: a precarização das relações de trabalho, a contrariedade à redução da jornada e a defesa de modelos que mantêm jornadas exaustivas, o enfraquecimento dos serviços públicos e a retirada de direitos não são questões secundárias. A tentativa de apresentar essas medidas como modernização ou responsabilidade fiscal esconde uma escolha política: fazer com que o peso das crises recaia sobre aqueles que vivem do trabalho, preservando os interesses daqueles que estão no topo da estrutura econômica.

O projeto defendido por esta candidatura também construiu sua força por meio do ataque permanente à democracia e às organizações coletivas. Sindicatos, universidades e institutos federais, movimentos populares e organizações da sociedade civil passaram a ser tratados como inimigos a serem combatidos, enquanto setores da extrema direita alimentaram a desinformação, a intolerância e a divisão da população, chegando a apontar para a eliminação física de grupos sociais e políticos. Essa política atinge diretamente a capacidade de organização das/os trabalhadoras/es, porque uma sociedade na qual a mobilização coletiva é criminalizada ou deslegitimada é uma sociedade na qual fica mais difícil lutar por direitos. Nesse mesmo sentido, a relação política estabelecida entre o bolsonarismo e Donald Trump representa uma ameaça direta à soberania nacional. A extrema direita brasileira faz parte de um movimento internacional que combina nacionalismo reacionário, autoritarismo, ataques aos direitos sociais e alinhamento com interesses econômicos e geopolíticos que ultrapassam as fronteiras nacionais. A aproximação com Trump não é apenas uma questão de afinidade entre lideranças, mas se expressa em uma determinada concepção sobre o papel do Brasil no mundo, marcada pela subordinação aos interesses dos Estados Unidos e pela disposição de colocar questões estratégicas da economia e da soberania nacional a serviço de interesses externos.

A candidatura de Lula se apresenta como um contraponto ao projeto de barbárie de Bolsonaro, com diferenças fundamentais sobre o papel do Estado e sobre quais interesses devem orientar suas políticas. O projeto apresentado por Lula parte da ideia de que saúde, educação e proteção social são direitos que precisam ser garantidos por políticas públicas e por investimento estatal. Isso significa fortalecer o SUS, ampliar o acesso a medicamentos, consultas e tratamentos, recuperar a capacidade da educação pública e ampliar as condições de acesso e permanência nas instituições de ensino. Na Previdência, significa tratar a aposentadoria como um direito social e buscar ampliar a proteção de trabalhadoras/es que hoje encontram dificuldades para contribuir e acessar os benefícios. São áreas que atingem diretamente a vida da maioria da população e que não podem ser tratadas apenas pela lógica da redução de despesas ou pela transferência de responsabilidades para o setor privado.

A história nos demonstra que conquistas sociais são resultado da organização e da mobilização e que, quando a pressão das/os trabalhadoras/es diminui, direitos que pareciam consolidados passam a ser questionados. É necessário manter a independência de classe e autonomia, para que nossa atuação seja determinada pelos interesses da categoria e do conjunto da classe trabalhadora, e não pela posição que qualquer governo ocupe no Palácio do Planalto.

Essa independência significa também reconhecer que a conjuntura eleitoral exige uma decisão concreta. Não podemos tratar as eleições como se fossem indiferentes diante de dois projetos que apresentam diferenças importantes em relação aos direitos sociais, às liberdades democráticas, aos serviços públicos e à soberania nacional. Ao mesmo tempo, a necessidade de enfrentar a extrema direita não significa abandonar nossas críticas ou transferir para um governo a responsabilidade pela organização das/os trabalhadoras/es.

É a partir dessa compreensão que a Coordenação da ASSUFRGS-Sindicato toma sua posição neste segundo turno. Considerando a ameaça representada pela continuidade e pelo aprofundamento de um projeto fascisa e neocolonial e a necessidade de derrotar eleitoralmente a extrema direita, defendemos o voto em Lula!

Depois das eleições, qualquer que seja o cenário, continuaremos fazendo aquilo que está na razão de ser do sindicato: organizar as/os trabalhadoras/es, defender direitos, enfrentar ataques e construir, pela mobilização coletiva, melhores condições de vida, de trabalho e de existir em sociedade.

Coordenação da ASSUFRGS-Sindicato