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ASSUFRGS repudia ameaças à comunidade universitária e cobra esclarecimentos sobre incêndio na UFPE

Um incêndio de grandes proporções atingiu, na noite desta quarta-feira (07), a sede da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (DINE) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária, no Recife. O prédio abrigava laboratórios vinculados à pesquisa e à inovação da universidade.

Segundo o reitor Alfredo Gomes, o imóvel reunia equipamentos e laboratórios utilizados em pesquisas que acumulavam dados e materiais de até duas décadas. A estimativa inicial é de que o local abrigasse cerca de R$ 100 milhões em equipamentos. O valor dos prejuízos, no entanto, ainda depende de uma avaliação técnica.

A dimensão da perda vai muito além do patrimônio físico. O incêndio atingiu equipamentos, amostras e registros de pesquisas desenvolvidas por estudantes de iniciação científica, mestrandos, doutorandos e pesquisadores de pós-doutorado. Entre os trabalhos potencialmente afetados estão estudos relacionados a câncer, obesidade, Covid-19, autismo, TDAH, fármacos e outras áreas da ciência. Para pesquisadores que perderam amostras ou dados sem cópia, podem estar em risco anos de trabalho acadêmico.

O caso ganha ainda mais gravidade diante de relatos de ameaças recebidas por estudantes horas antes do incêndio. Entre as mensagens divulgadas nas redes sociais, uma afirmava: “Vamos explodir o departamento de vocês. Segundo turno é Flávio”, seguida de ameaças de violência contra estudantes identificados como apoiadores da esquerda. A mensagem teria sido enviada por um perfil falso. O deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE) afirmou que estudantes receberam ameaças contra setores da universidade e defendeu uma investigação imediata.

É importante, entretanto, não confundir ameaça com autoria do incêndio. Até o momento, não há confirmação de que o fogo tenha sido criminoso ou de que exista relação entre as mensagens e o incêndio. A causa ainda está sendo apurada. Justamente por isso, a sequência dos acontecimentos exige uma investigação rigorosa, transparente e capaz de esclarecer todas as circunstâncias do caso.

A ASSUFRGS repudia veementemente qualquer ameaça contra estudantes, trabalhadores e instituições de ensino e pesquisa. Universidades públicas são patrimônio da sociedade brasileira. Atacar uma universidade significa ameaçar o direito à educação, à ciência, à produção de conhecimento e ao desenvolvimento do país.

Também repudiamos qualquer tentativa de intimidar a comunidade universitária por suas posições políticas. Eleições são processos democráticos e precisam ser disputadas no campo das ideias, não pela violência, pelo medo ou pela destruição do patrimônio público.

Se as investigações comprovarem que o incêndio foi criminoso e, especialmente, se houver qualquer relação com as ameaças anteriormente registradas, os responsáveis precisam ser identificados e responsabilizados nos termos da lei.

O episódio também não pode ser analisado fora de um contexto mais amplo de violência política. Em 8 de janeiro de 2023, grupos de apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, provocando danos ao patrimônio público e tentando contestar, pela força, o resultado das eleições de 2022. Isso é um fato documentado e não pode ser relativizado.

A ASSUFRGS defende integralmente a ciência e a democracia. Não aceitaremos que ameaças sejam utilizadas na tentativa de alterar o resultado dos processos democráticos. Manifestamos nossa total solidariedade a todas/os servidoras/es e estudantes da UFPE.

Foto: Reprodução de vídeo | Publicada na Revista Fórum