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Em defesa dos TAEs e da universidade pública: ASSUFRGS analisa propostas de Flávio Bolsonaro e alerta para o risco de desmonte

Análise detalhada do sindicato sobre as propostas de governo do candidato Flávio Bolsonaro expõe os impactos de cortes orçamentários, privatização da pesquisa, fim da estabilidade, arrocho salarial e intervenções nas reitorias.


Alerta à comunidade universitária e aos servidores públicos

A ASSUFRGS Sindicato traz à categoria e a toda a sociedade uma análise das propostas do plano de governo do candidato Flávio Bolsonaro (especialmente nas páginas 36 e 37) e de seus anúncios econômicos. O levantamento contrapõe os riscos de desmonte das Instituições Federais de Ensino (IFEs) aos avanços conquistados na educação pública e convoca a categoria dos Técnico-Administrativos em Educação (TAEs) a se posicionar decisivamente nas urnas no dia 25, votando Lula 13.


1. Tirar as IFEs do MEC é estrangular o orçamento

Uma das propostas centrais do plano de governo é retirar a governança das universidades e institutos federais do Ministério da Educação (MEC) e transferi-la para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Os dados do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA 2027) mostram a gravidade dessa mudança:

  • MEC: Orçamento de R$ 245 bilhões
  • MCTI: Orçamento de R$ 15 bilhões

Transferir as IFEs para uma pasta 15 vezes menor inviabiliza o custeio básico, a manutenção da infraestrutura, o pagamento de bolsas e o funcionamento diário dos campi em todo o país.


2. Universidade pública como balcão de negócios

O plano do candidato prevê reorientar a CAPES e o CNPq para priorizar exclusivamente o “impacto produtivo”, a inovação comercial e a transferência de tecnologia para a indústria. Ao condicionar repasses financeiros a cursos de pós-graduação lato sensu voltados aos interesses de empresas privadas:

  • Sufoca-se a pesquisa básica, a filosofia, as artes e as ciências humanas;
  • Submete-se o conhecimento público à lógica do mercado privado.

A universidade pública é responsável por mais de 90% da pesquisa brasileira, resultado conquistado justamente graças à sua autonomia acadêmica. A ciência deve atender ao povo, e não ser tratada como mercadoria.


3. “Tesouraço” de R$ 200 bilhões no orçamento e nos serviços públicos

A equipe econômica de Flávio Bolsonaro já anunciou a intenção de aplicar um corte superior a R$ 200 bilhões na estrutura do Estado. Esse “tesouraço” atingirá diretamente a educação pública, o SUS, as aposentadorias e a concessão de benefícios, prejudicando toda a população brasileira e sacrificando os serviços essenciais prestados pelos servidores.


4. Inspiração no “Modelo Milei”: risco real às vagas de trabalho

O plano econômico do candidato alinha-se às medidas adotadas na Argentina por Javier Milei, que eliminou mais de 77 mil postos de trabalho no setor público e em estatais desde o final de 2023. A reprodução desse modelo no Brasil coloca sob ameaça direta o emprego e a carreira dos servidores públicos.


5. Histórico salarial: arrocho versus valorização

A análise histórica dos reajustes salariais da categoria expõe a diferença de tratamento dispensada aos servidores federais ao longo dos governos:

Governo / PeríodoReajuste e Principais PontosImpacto Real
Collor (1990–1992)0% de reajuste geralSem recomposição
FHC (1995–2002)Sete anos sem reajuste (apenas 3,5% em 2002)Quase 8 anos de congelamento
Lula (2003–2010)Retorno das mesas de negociação e reestruturação de carreirasGanhos entre 30% e 60%
Dilma (2011–2016)Reajustes parcelados (15,76% + 5,5% + 5% + 4,8%)Recomposição contínua
Temer (2016–2018)Sem novos reajustes geraisCumprimento de acordos prévios
Bolsonaro (2019–2022)4 anos sem reajuste geralCongelamento e perda do poder de compra
Lula (2023–2026)Reajustes de 9% (2023), 9% (2025) e 5% a 9% (2026); Auxílio-alimentação de R$ 458 para R$ 1.192Recomposição salarial e aumento expressivo nos benefícios

6. Retorno da Reforma Administrativa (PEC 32)

Embora a categoria tenha derrotado a Reforma Administrativa durante a gestão anterior, a eleição do filho do ex-presidente trará a proposta de volta com força total. Os principais pontos de ataque incluem:

  • Fim da estabilidade do servidor público;
  • Contratações sem concurso público;
  • Criacão de tabela única com severo achatamento salarial;
  • Uso de instrumentos de avaliação como forma de assédio moral e institucional.

7. Intervenções nas reitorias e terceirização irrestrita

As propostas para as IFEs eliminam a paridade, a autonomia universitária e a democracia interna. O plano prevê:

  • O retorno das intervenções federais na escolha de reitores, ignorando as consultas comunitárias;
  • A ampliação da terceirização precarizada nas instituições;
  • O enfraquecimento dos Conselhos Universitários, esvaziando as instâncias deliberativas democráticas.

8. Expansão ou declínio da Rede Federal: uma escolha de projetos

A comparação do orçamento e dos investimentos demonstra a disparidade entre as duas visões de país:

  • Gestão Bolsonaro: Queda de 96% nos investimentos universitários, corte de R$ 2,4 bilhões no MEC e 17 universidades federais sob risco iminente de paralisação em 2022.
  • Gestão Lula: Anúncio de 100 novos campi dos IFs, 10 novos institutos federais (2024–2026) e criação de novas universidades e campi, incluindo o Campus Caxias da UFRGS.

Em defesa dos TAEs e da educação pública

A ASSUFRGS Sindicato chama todos os servidores públicos, técnicos-administrativos, docentes, estudantes e a comunidade em geral a dizer NÃO a quem retira direitos e destrói o patrimônio científico e educacional do Brasil.

Em defesa dos TAEs, das Universidades e dos Institutos Federais: no dia 25, vote Lula 13!